24 maio, 2014

Sobre os finais


Final é quando você se dá conta de que tudo não é mais igual, que o tempo passou e as coisas, por mais que pareçam ser as mesmas, não são. Não há mais os laços, não há abraços, não há mais.
E embora todos digam "não, não tenha medo de recomeçar", não juram que não terá um fim. Os fins são tão certos quanto um dia daqui partir, eles vão existir e a dor de recomeçar sabendo que, cedo ou tarde, será fim, não é nada atraente para quem não quer ver o final.
A ultima palavra, o ultimo olhar, a doída hora em que um vira as costas, fecha a porta e vai...vai como se nunca tivesse chegado, como se tudo fosse um sonho do qual deve-se acordar as sete da manhã.
Por mais que exista tempo para buscar o novo lugar, o novo tudo...sempre vai haver a certeza de que a porta se fecha em algum momento. O momento do fim dói, não é por nada não, senhor, mas dói. E a menina aqui não quer saber dessa dor.

11 março, 2014

❀ Se a alma se acalma, se o pensamento voa e vai longe, se a vida parece mais simples, não vire as costas, não tema, corra o risco, assuma os sentimentos e vai...vai e corre como criança feliz. 

Quase inverno

[...] Já era quase inverno. Os termômetros da cidade caíam e as gotinhas de chuva, pequenas e geladas, regavam os casacos que saiam dos armários onde estiveram guardados por quase um ano.
- O frio chegou! - Maísa falou baixinho olhando da janela da sua casa, lá em baixo as pessoas iam, num vai-e-vem frenético, tentando se esconder da chuva que começava a cair e também se esbarravam com seus guarda-chuvas coloridos.
Cena bonita de ser ver, era um dia como qualquer outro, mais tinha um "quê" a mais. O sorriso não queria se esconder. Volta e meia, Maísa se encontrava dando risinhos pela casa, enquanto arrumava o quarto.
Lembrava-se de algumas horas passadas, onde presenciou o inicio daquele inverno de um ângulo diferente, com um sentimento diferente.
Era isso e o clima que a animavam.
Ao contrário da maior porcentagem da população mundial, Maísa, gostava do frio, do inverno, da chuva e dos dias úmidos. Havia uma certa "queda" por melancolia, nesses dias ela escrevia, nos dias de sol raiando, não.
Maísa arrumou a casa e saiu pra cuidar da vida, pra resolver os problemas dos outros, pra se sentir útil e pra ser mais um dos guarda chuvas coloridos, pra quem vê lá de cima.
No final do dia ia ser só mais uma moça, de casaco molhado, voltando pra casa, pisando nas poças e abrindo as portas da casa vazia, mas de sorriso no rosto e coração quente.

27 fevereiro, 2014

Calhas e calçadas

E como a chuva que cai lá fora, enchendo as calhas e as beiras das calçadas, transborda aqui dentro também.

Ser bom.

Abre o coração, sinta a calma que a paz te traz.
Não espera de ninguém sua felicidade, busca sozinho a tua felicidade.
Não se deixe depender de outrem pra ser bom, pra ser melhor, pra ser feliz.


Dia de chuva



Ela não sabia o que pensar, nem por onde começar, se sentia estranha, com algo incomodando sua paz.

Chovia, chovia como sempre naquelas ruas cinzas da cidade moderna, chovia lá fora e aqui dentro, dentro do peito, dentro do coração e escorria pelo rosto em forma de lágrimas o sufoco que carregou por dias e dias.
Não era um choro triste, mas um choro solitário.
Maísa não queria mais estar ali, queria voar mais alto, queria ir mais longe...mas, há esse céu cinza a impedia.
Parou em frente às roupas jogadas no chão, mal desfazia as malas, fazia outras. Olhou, sentou-se na cama, pegou o chocolate e comeu -lágrimas caíam- e a chuva também, lá fora. Que cena! - pensou ela, digna de novela! Tentou acalmar o coração, se fazendo perguntas, inventando respostas e criando diálogos sobre o que acabara de viver. Resolveu, por um instante, até que acabou o chocolate.
Eram dez horas da noite.
[...]
Já são onze.
A chuva parecia ter perdido a força.
Maísa, ainda lá, tentando reorganizar o coração, como um quebra-cabeças-de-mil-peças.
[...]
As luzes se acendem.
Novo dia.
Um coração novinho em folha, uma vida reorganizada, lenços de papel debaixo da cama e uma vida inteirinha pra viver, se despedaçar e construir de novo.

Maísa Loyen, em mais um dia de chuva.

14 janeiro, 2014

Maísa Loyen, sobre as folhas no chão

Então ela seguiu o seu caminho sem nada esperar, simplesmente foi...Foi como o vento que sopra, como a folha que rola com o vento, como a brise leve daquele Verão que cedo ou tarde teria de dar espaço ao Outono. E ela espera então, espera o Outono chegar com toda a força que ele tem, como toda meia estação e climas amenos, espera que a calma chegue pro coração e que ela não tenha mais que ir e que possa um dia ficar, congelar as estações e simplesmente estar, sem ter vontade de partir.
Maísa Loyen, sobre as folhas do chão

10 novembro, 2013

Nó pra atar



Engraçado como tudo pode estar perfeito e mesmo assim, ainda falta um pedaço, falta o nó pra atar, falta a cereja do bolo.
Frases perfeitas, ternos e joias caras desfilando por aí... Vidas modernas, pessoas modernas, pensamentos rápidos e respostas certeiras, além do coração frio.
O mundo anda tão depressa... As coisas são tão mais importantes e a corrida por ser melhor nos afasta de sermos nós mesmos e de buscar quem seja nós também.
Abre os braços e espera. Alguém está vindo, alguém lhe espera, alguém sente falta desde pedaço e tem a outra ponta do laço que falta pra atar o nó.

20 outubro, 2013

Sobre as mudanças

 
 
E em pouco tempo as prioridades mudam, os pensamentos começam a perturbar e ela, confusa, tentou então achar respostas. Achou, mudou de ideia, se concentrou novamente, definiu aquilo que queria e aquilo que não queria. Então, separou o joio do trigo e decidiu que, por mais que pareca simples, é o coração que manda, é o sentimento que traz a felicidade, decidiu então mudar de rumo, pintar a casa de cor de rosa novamente, vestir as roupas floridas e ir a luta, pois mudar o foco também requer suor, além de fé e de sentimento.

22 setembro, 2013

Chuva e coisa nova



E como a chuva que cai lá fora, enchendo as calhas e as beiras das calçadas, transborda aqui dentro também algo bom.
Transborda uma alegria diferente, uma alegria misturada com surpresa, com um "quê" de algo novo e de desconhecido bom. E que brinde então à vida e a esse tal de destino, que vem, vira e mexe com tudo estava ali, escondido. Vem e tira o pó das coisas velhas, da poeira da casa, arruma as coisas no lugar e dá espaço pras coisas novas.
Então, senhor destino, pai das coisas boas, vem! Entra e abre as cortinas da casa nova, dá novas cores pras paredes cinza, deixa o vento entrar, bater e clarear tudo aquilo que havia de cinza aqui dentro.

11 agosto, 2013

Sobre o amanhã


Que amanhã seja o melhor dia de nossas vidas, que essa seja a semana mais feliz! Que dê tempo de fazer tudo e que nada tire a nossa paz.Que cada sorriso faça o outro mais feliz, que os elogios sejam sinceros e que as criticas façam crescer.Que seja mais uma oportunidade de aprendizado e que cada dia mais, saibamos aproveitar o melhor de cada momento.Que tudo que pensamos em realizar tenha oportunidades para se tornar verdade e que tudo seja bom.E que nada, nada seja mais bonito que o Sol que aquece e que se estiver frio ou chovendo, mesmo assim, que possamos aproveitar.
Que as borboletas voem e que os pássaros cantem mais uma canção, que a natureza continue sendo bela como é.
Que os amores sejam doces, que a vida faça brotar do peito a alegria de ter, mais uma vez, a dádiva do amanhecer e de abrir os olhos para uma nova chance de fazer tudo melhor e mais bonito".

13 julho, 2013

Mudar

Nada vale mais do que a dádiva do ser humano em poder mudar de opinião. Tudo é uma constante mudança e dentro de nós mesmos a vida pulsa tão forte que é triste demais poder dizer "está decidido" ou "vai ser assim pra sempre".
Convenhamos que o mundo muda, as coisas mudam e as pessoas, ah! Estas sim mudam mais, mudam muito! A cada dia, a cada burrada, a cada tombo e a cada sorriso.
Que a vida mude muito, que o destino contradiga, que nos surpreenda e que nos faça sentir aquele friozinho na barriga do desconhecido, daquilo que ainda não vemos, que nunca fizemos! E lhe digo mais meu caro amigo, que só assim, mudando e crescendo que as coisas acontecem!
Coitados daqueles que tem a vida toda certinha e decidida...Não invejo, tenho pena.
Brindo aqueles momentos de reviravolta...onde a unica certeza é que nada mais vai ser igual.
E é por isso tudo que eu jogo as pedras nos rios, ele nunca, nunca mais serão os mesmos após a minha intervenção.
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
                      

08 julho, 2013

O vestido azul

                                                                                 

Ela gostava da hora de dormir, quando podia inventar todos os planos possíveis que viveria, inventava os mapas pra seguir e vivia, intensamente seu sonho. O sono bom lhe trazia a realidade de muitas coisas na vida e quem disse que sonhar não é viver?
Por muito tempo ficou ali, obscura entre uma parede e uma rua pequena, loteada por casas estranhas, numa cidade longe de tudo que julgava ser seu. Aí um dia acordou e veio ao mundo pra desafiar o que era mais belo, o que era mais certo. Ela não queria uma vida toda certinha, ela queria as emoções e teve. Instintivamente ela teve e pode sim, contar pros netos aquilo que viveu, com alegria de alguém que desafiou o mundo, com a coragem de quem não se fez de vítima depois um ou dois baques que a vida deu.


Era um dia comum, um dia como outro qualquer, um dia de calor, diferente dos dias de chuva que queria tanto viver. Maísa conferia que a roupa nova lhe caira muito bem, era de um azul todo bonito, estampado e solto. O vestido chamava atenção dos olhares masculinos e a inveja de algumas mulheres que passavam pela rua e lhe torciam o nariz.
Foi então, realizar aquilo que mais pensou naquela última semana. Seria um dia difícil e ela precisava, no mínimo, estar bem vestida, tudo poderia acontecer.
Avistou seu destino, depois de mais ou menos uns quarenta minutos.
Pegou a carta, a bolsa e o anel que ganhou. Saiu do carro.Andou nada mais que um quarteirão, viu a porta. Aquela porta por onde entrou algumas vezes, aquela porta que bateu, também por algumas vezes e com raiva, quase deixou sua ideia pra trás.
Seria hoje, entregaria o anel e a carta, com tudo o que sentia, com tudo que não conseguia falar, pois aquela presença lhe tirava a habilidade de dizer qualquer coisa, então, sempre assim, chegava em casa e escrevia, o que não conseguia dizer.
Olhou pra trás, ninguém na rua. Caminho aberto.
Enfrentou o medo e seguiu.
Um, dois, três degraus.
Tudo em silêncio.
Bateu na porta.
Uma, duas e três vezes. No fundo, desejava que ninguém saísse.
E como se uma fada lhe atendesse o pedido, a casa estava vazia.
Maísa, meio saltitante de alegria, por ter o dia mais decisivo da sua vida adiado, um tanto decepcionada por não poder dizer (ou ler) aquilo que estava engasgado a tanto tempo, desceu os degraus....
Andou de volta o quarteirão, entrou no carro, levantando a barra do vestido azul todo bonito e se foi, ouvindo as musicas que o faziam lembrar...
[...]
Do outro lado da porta, ele encostou, um tanto decepcionado por não ter coragem de sair e enfrentar aquele que poderia ser o dia mais importante da sua vida, um tanto feliz, por adiar tudo que ele iria ouvir (e sabia que ia ouvir) e feliz, porque sabia que não terminara por ai, que ainda sim, havia continuação e pensou, em voz alta, em alto e bom tom: "- Ah, como o vestido azul ficou lindo nela".